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E-mail: re_nato88@hotmail.com
Renato Medeiros
Perfil
Aniversário:03/02/1988; Idade:20anos; Cidade:Maceió-AL; Ocupação:Estudante; Qualidade:Criatividade; Defeito: Chatice
Autores Preferidos
Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Virginia Woolf, José Saramago, George Orwell, Franz Kafka
Livros Preferidos
A Hora da Estrela, Laços de Família e Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres - Clarice Lispector; As Horas - Michael Cunningham; Mrs. Dalloway - Virginia Woolf; 1984 - George Orwell; Ciranda de Pedra, As Meninas e A Noite Escura e Mais Eu - Lygia Fagundes Telles; Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago; A Metamorfose - Franz Kafka; O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë; Morte em Veneza - Thomas Mann; Lucíola e Senhora - José de Alencar; Éramos Seis - Maria José Dupré; Dom Casmurro - Machado de Assis; e O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
Minhas Palavras
Agora estou colaborando com o blog Amálgama. Um projeto nacional, com vários nomes interessantes espalhados dentro e fora do Brasil escrevendo sobre temas como literatura, cinema, música, artes plásticas, política, comportamento e assuntos nacionais e internacionais. O link é o primeiro da sessão "Blogs", com o nome Amálgama.
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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
69° Livro que li: João Urso
Autor: Breno Accioly Ano em que li: 2007 Classificação: MERGULHO NO ÍNTIMO DA PSIQUE João Urso é o primeiro e mais conhecido livro do escritor alagoano Breno Accioly, considerado um dos melhores contistas do Brasil. Publicado em 1944, essa coletânea de dez narrativas, aparentemente, traz na loucura uma unidade temática que se configura como um dos pontos mais atrativos da obra. É aparentemente porque dizer que o tema de Breno Accioly é a loucura pode soar precipitado ou preconceituoso. Afinal, loucura para quem? Em que ponto de vista, em que concepção pode-se dizer que as mentes perturbadas de personagens como João Urso, Poni ou Coriolano pertencem a loucos? Eles assim o são apenas para o senso-comum. O autor imerge o seu leitor ao mundo particular de seus protagonistas, à realidade incompreendida por aqueles que os taxam de loucos e os excluem da convivência em sociedade. Conduz à participação da agonia instaurada, da luta que não é facilmente evidenciada no corpo, a não ser por alguns poucos estímulos ou confusas reações, pois o corpo não mostra o que realmente explode no âmago. Seria mais justo dizer que o tema está na inusitada inconsciência, com seus impulsos, desejos, anseios; e é ainda nesse campo desconhecido da natureza humana que eclode a sensação de solidão, a intenção de vingança, as incertezas da morte e o encarceramento psíquico. Todas essas são características negativas que, ao se manifestarem fora da ficção, causariam repulsa e medo às pessoas comuns, mas não a Breno Accioly que, com muita sutileza, investe e experimenta cada um dos infinitos particulares que cria. A presença da unidade referida é interessante por possibilitar a abordagem de vários aspectos dentro de um mesmo tema, mas vai além desse tema e atinge também a linguagem. As estruturas dos textos tendem a se manter. Em geral, o escritor é dono de contos que podem ser considerados longos, em média dez páginas cada. A terceira pessoa é constante, geralmente não são aqueles tipos perturbados que convidam o leitor a penetrar em suas fragilidades psíquicas ou emocionais, mas sim um narrador externo, uma voz onisciente que mostra o caminho, que fornece as evidências. Outro dos recursos mais utilizados, e que funciona muito bem nos contos "João Urso", "As Agulhas", "As Três Toucas Brancas" e "Açougue", é o flashback. Praticamente todos os textos apresentam essa semelhante estrutura de construção narrativa, em que a personagem aparece em sua atual situação e parágrafos após passa a recordar alguns fatos para no final voltar ao ponto de início. É durante esse retorno a acontecimentos anteriores que se tem contato com as causas e os motivos que deixaram os protagonistas em seus estados atuais. Intrigante é o fato de todas as personagens serem homens. Cada qual com suas histórias, porém com sintomas similares, como se aquele ponto vital comum a todo e qualquer ser humano, ao ser tocado, reagisse da mesma maneira, de forma instintiva. O que tanto incomoda o autor a ponto de ele insistir tanto nisso? Também seria precipitado afirmar que o que está escrito condiz, de certa forma, com a vida dele, pois sempre é perigoso relacionar diretamente criador e ficção. Mas como escrever com propriedade sobre aquilo que não se conhece? O contista apresenta uma desenvoltura muito grande ao descrever aqueles tipos, provavelmente há influências de sua profissão de médico, de sua infância no município de Santana do Ipanema - já que vários contos se passam nessa cidade -, ou até mesmo de algo que o tocava e que também o perturbava. Afinal, ele poderia ser uma de suas personagens, ou quem sabe todas. Muitas são as possibilidades dentro da Literatura, porém nada de exagero, por favor, nada de certezas ou dogmas. Falecido em 1966, Breno Accioly não está presente para confirmar nada. Um ponto negativo da unidade temática e estrutural é justamente o risco de se tornar excessivamente repetitivo. Do meio para o fim do livro se tem a impressão de que sempre se fala da mesma coisa e do mesmo jeito, apenas mudando cenários e nomes - cada um mais incomum do que o outro, como Salustiano, Coriolano ou Sugismundo. É até comum escritores e poetas elegerem determinados assuntos como seus prediletos, mas Breno Accioly por diversas vezes anda pela fina fronteira da redundância, o que pode ser nocivo à sua obra. Contudo, no todo, o autor se sai muito bem e deixa um gosto de denso estudo em forma de arte literária sobre a psique humana, com o diferencial de ser pelo ponto de vista excluído. João Urso é sobre seres que se perdem dentro de si mesmos, que não resistem à pressão do mundo. É um bloco de impacto, tanto em sua temática, quanto em sua linguagem peculiar. Afinal, nenhum escritor é obrigado a escrever de diferentes formas apenas para não repetir sua própria fórmula que, vista de um ângulo mais ameno, pode ser lido como o seu estilo. E que estilo! Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 16:12
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Quinta-feira, Setembro 27, 2007
68º Livro que li: Perfis
Autora: Arlene Miranda Ano em que li: 2007 Classificação:
UMA PAIXÃO QUE SUFOCA E CONTAMINA Na década de 50, quando era ainda uma adolescente, Arlene Miranda tornou-se a primeira mulher em Alagoas a trabalhar em uma redação como jornalista. Em Perfis, a escritora tenta resgatar um pouco da história da imprensa no Estado, apresentando trinta relatos de personalidades predominantemente alagoanas que conviveram com ela desde o início de sua carreira profissional. As crônicas pretendem fazer um apanhado histórico sobre o jornalismo em Alagoas durante as décadas de 50, 60 e 70. Entretanto, a autora se restringe a abordar esse tema com mais ênfase apenas em "A Imprensa Alagoana Ontem e Hoje". Nesse, que é o primeiro e o mais extenso dos textos, há uma breve explanação de como era o processo de produção dos jornais, desde a redação das matérias, passando pelas fotografias, até a impressão. Além disso, ainda há comparações com o cenário jornalístico contemporâneo à época em que a obra fora publicada, em 1991. Toda a pessoalidade que a escritora deposita em Perfis o transforma em um livro de memórias demasiadamente emocionado. Mas ela afirma, logo na primeira frase, que mesmo sem querer parecer saudosista, não conseguiria se furtar às lembranças de uma época em que fazer jornal em Maceió era um ato de amor e romantismo. Parece querer manter o caráter jornalístico, tenta levantar dados sobre acontecimentos históricos, com clareza e objetividade, mas não são raras as vezes em que exagera na afetividade e na exaltação das personagens que descreve. Aliás, as histórias das pessoas são narradas apenas do ponto de vista dela, pouco da opinião alheia ou pública é levado em consideração, ou pelo menos mais aprofundado. Isso, de certa forma, acaba afastando-a de seus objetivos iniciais. Arlene Miranda não escreve apenas sobre as pessoas, mas sobretudo escreve sobre si. Ela é a mais freqüente e evidente personagem do livro. Ao contar aspectos da vida de seus amigos e companheiros de trabalho, ela reconstitui um pouco da própria vida, apresentando também, mesmo que de maneira fragmentada, o seu perfil para o leitor. As várias fotos, onde se pode observar a jornalista no auge de sua juventude ao lado das pessoas que homenageia, constituem um dos méritos da obra. Também fica evidente a preocupação que ela tem com a linguagem adotada. Em momento algum a autora parece simplória, tenta trabalhar com todo esmero possível, porém se descuida um pouco, cometendo alguns deslizes ou falhas, como a repetição excessiva de várias palavras ou expressões como "meu grande amigo", presente em várias páginas. Perfis não traz muitas surpresas, mas pode ser considerado bem escrito. É mais uma homenagem, do que fonte fiel ou biográfica das personalidades contempladas. Mesmo assim, contribui para o registro de um pedaço da história da imprensa em Alagoas no século XX, principalmente do período em que a atuação jornalística de Arlene Miranda fora mais ativa. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 00:41
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Sexta-feira, Agosto 10, 2007
67º Livro que li: Verão no Aquário
Autora: Lygia Fagundes Telles Ano em que li: 2007 Classificação: ENSAIO PARA A OBRA-PRIMA A relação conflituosa entre mãe e filha se configura como o eixo de Verão no Aquário, segundo romance de Lygia Fagundes Telles. Publicado em 1964, o livro ainda parece ser o embrião de outro romance, As Meninas, publicado nove anos depois e considerado por leitores e críticos como sendo a obra-prima da escritora paulista. Raíza é uma jovem em constante devaneio, que vive presa em sua redoma fictícia, sendo afetada pelo ar abafado de um caloroso verão. Alimenta em si sentimentos de inferioridade e aflições por acreditar sofrer a rejeição de sua mãe. Já Patrícia é uma escritora reclusa e que aparentemente não se importa com sua filha, não demonstrando grandes afetos, provavelmente pelo fato de Raíza pensar e agir de maneira contrária aos seus princípios retos e conservadores. É desse desencontro entre as duas que surge a vontade de competição, que faz a filha disputar com a mãe a atenção de André, um jovem religioso, amigo de Patrícia e que Raíza julga ser amante dela. Entretanto, mesmo que de maneira inconsciente, a jovem parece disputar mesmo é a atenção de sua mãe, pois demonstra ter inveja do carinho que ela deposita inteiramente em seu amigo ou amante. Sendo assim, o interesse de Raíza por André, que ela acredita ser amor, pode não representar nada mais além de ciúme. Quase todas as personagens de Verão no Aquário são bem definidas e aprofundadas. Mesmo que nem todas se relacionem diretamente com o que fora chamado de eixo da narrativa, cada uma tem sua importância e suas peculiaridades destrinchadas. Tia Graciana, Marfa, Dionísia, por exemplo, têm suas presenças indispensáveis e justificadas. Até mesmo Fernando, amante de Raíza e que supostamente tem papel secundário, contribui significativamente para se compreender melhor a protagonista. Porém, esse romance não é o primeiro nem o mais brilhante em que Lygia Fagundes Telles executa a elaboração de suas personagens. Em As Meninas há uma evolução nesse aspecto. Isso evidencia o quanto a autora é comprometida com a sua literatura, empenhada em criar mais do que meros personagens e situações para preencher espaços. Qualificar Verão no Aquário como ensaio de As Meninas pode ser bastante perigoso, mas a comparação parece ser inevitável para quem teve acesso aos dois textos e principalmente para quem leu As Meninas primeiro e pôde observar o quão forte é a carga literária contida em suas páginas. Verão no Aquário é inteiramente narrado por Raíza, que em seu fluxo de pensamento leva o leitor a permanecer em constante contato com sua mente contraditória, ambígua, porém própria. Aliás, investir no psicológico de suas personagens é uma característica marcante na obra de Lygia Fagundes Telles. Contudo, em As Meninas essa qualidade é intensificada em um texto que tem sua narração alternada pelo fluxo de pensamento de três personagens - e de outra voz anônima -, utilizando-se de linguagens distintas para cada uma. Sendo assim, Raíza se apresenta como o que mais tarde viria a ser desenvolvido nas personagens Lorena, Lia e Ana Clara. Quanto à linguagem, a autora dá um salto de qualidade em As Meninas, quando modifica a forma de dizer e pensar de cada personagem, todas as vezes que o ponto de vista da narração se alterna. Em Verão no Aquário essa linguagem ainda não sofre experimentações, possui a qualidade e a elegância, mas não há a ousadia do trabalho posterior. Outro detalhe que torna ainda mais íntima a relação entre os dois textos é a apropriação do vício de Marfa, que sempre repete a palavra/pergunta "compreende?" após suas falas, constante em Verão no Aquário. Esse recurso é novamente utilizado, de forma amadurecida, na composição da personagem Lia, de As Meninas, que repete palavra semelhante: "entende?". Dispondo de alguma linearidade, Verão no Aquário é dividido em quinze capítulos que possuem certa independência, mas que mantêm ligação entre si. Entretanto, é mais um livro que pode ser chamado de "romance de meio", que começa quando já se começou ou pelo menos já deveria ter começado quando se tem acesso, na primeira página, ao fluxo de pensamento de Raíza. Cabe ao leitor juntar indícios do que houvera para reconstituir o que linearmente deveria ter sido o início. A autora envolve o seu leitor em dúvidas que nem sempre serão elucidadas e permite que ele também construa, pensando o pensamento de sua personagem-narradora. Embora não seja o melhor texto de Lygia Fagundes Telles, Verão no Aquário tem seu destaque garantido por suas qualidades estéticas e pelas possibilidades de discussão que pode trazer à tona. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 00:17
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Domingo, Julho 01, 2007
66º Livro que li: O Processo
Autor: Franz Kafka Ano em que li: 2006 Classificação: MUITO ALÉM DA BUROCRACIA Considerado a obra-prima do escritor tcheco Franz Kafka, O Processo, publicado postumamente em 1925, conta a história de um homem que é processado sem saber o motivo. Aparentemente, a narrativa cria uma alegoria que pode ser entendida como uma crítica à burocracia exacerbada dos aparelhos judiciários. Entretanto, vai mais além, toca o íntimo da condição do homem, preso em si mesmo pelas leis sociais. Ao acordar na manhã de seu trigésimo aniversário, Josef K. é surpreendido por um homem que o detém, por ordem de superiores. Logo, K. descobre que fora acusado por um crime do qual ele e os seus próprios detentores desconhecem. Tem início, então, um desgastante processo, promovido por uma justiça também desconhecida, que atua nas mais improváveis sedes, localizadas nos subúrbios de uma cidade sem nome. Josef K. passa a transitar por repartições esquisitas, lidando com os mais diversos funcionários e conhecendo outros acusados que há anos se encontram em sua mesma situação. Tudo isso na tentativa de descobrir o possível crime pelo qual está sendo acusado e tentar encontrar subsídios que possam provar a sua inocência. Mas com a quantidade de entraves burocráticos que K. encontra pela frente, tudo se torna inacessível. É como se o principal objetivo dessa justiça anônima fosse criar uma complexidade do nada para o nada, com o único objetivo de tornar as leis e a justiça impenetráveis ou inescapáveis. Contudo, o que se pode observar é que Josef K. é um preso livre. Em nenhum momento ele é encarcerado, mas se sente de mãos atadas da primeira à última página do livro. É a sua condição enquanto homem: está preso nas leis e nas condutas morais que regem a sociedade. É como se, ao descobrir isso, Josef K. procurasse se libertar, mas de uma maneira legal, sem burlar as leis que o perseguem e tiram o seu fôlego. Todo esse esforço acaba fazendo com que ele seja esmagado pela força incomensurável dessas leis. Outra interpretação que costuma ser difundida pelos críticos de Kafka é a da relação entre O Processo e a aversão aos judeus. Segundo essa ótica da leitura da obra kafkiana, o processo instaurado contra Josef K., por uma justiça clandestina, sem motivo aparente, seria na verdade uma metáfora às perseguições sofridas pelos judeus na Europa. Perseguição sorrateira, silenciosa. Exatamente o tipo de perseguição que Josef K. sofre. Sem grandes alardes, o protagonista se vê preso em liberdade, como se fosse constantemente observado e obrigado por si mesmo a manter cautela. É também a partir desse ponto de vista que se pode sugerir a ligação mais íntima entre autor e personagem; realidade e ficção - já que Kafka era judeu. Além disso, K. é a inicial do nome de Kafka e também é a forma mais corrente com que o protagonista é mencionado no livro. É até óbvio fazer a ligação entre Josef K. e Franz Kafka. Parece muito simples assegurar que é o próprio Kafka que está fielmente ali, descrito das páginas de O Processo. Porém, como já foi dito acima, a impossibilidade de se encontrar as intenções do autor parecem evidentes. O máximo que se pode fazer a esse respeito é especular, é supor. O que de maneira nenhuma é um incômodo, pelo contrário, parece ser mais um desafio, um estimulo à imaginação. É um dos pontos que podem ser considerados como responsáveis por tornar a Literatura tão grandiosa, poderosa. Quanto à linguagem, pode-se dizer que O Processo é um romance extremamente burocrático. Essa parece ter sido uma das preocupações de Kafka: construir um texto travado como a justiça que Josef. K. tem que enfrentar. Um texto que precisa de paciência e dedicação para ser lido, cheio de detalhes e minúcias. Porém, de maneira nenhuma ele se torna chato ou desinteressante. Essa linguagem atende mais a uma questão estética do texto mesmo, é como se Kafka quisesse fazer o seu leitor sentir a mesma sensação de sufocamento que Josef K. sente ao longo da narrativa. Além disso, é constante a presença de um tom irônico que dá certa comicidade ao texto. Um sarcasmo inteligente que é acentuado pela presença de elementos surrealistas. Surrealismo que aparece em várias cenas, como por exemplo, em uma passagem em que Josef K. encontra seus detentores sendo castigados embaixo de uma escada no banco em que o protagonista trabalha. É quase uma cena bizarra, a sua improbabilidade rompe com a lógica. Aliás, romper com a lógica parece ser bastante comum em Kafka. Não que isso seja ruim, pelo contrário, a irrealidade criada pelo autor dialoga perfeitamente bem com a realidade cotidiana, tanto que o leitor, muitas vezes, pode ter a sensação de que os aspectos surreais com que se deparam na leitura são naturais e possíveis. O livro inteiro é marcado pela presença de uma força esmagadora que pressiona protagonista e leitor. Kafka consegue fazer com que o leitor sinta, simultaneamente, o mesmo sufocamento de sua personagem. A tensão da narrativa é carregada, assim como a atmosfera abafada dos ambientes idealizados, que fazem o protagonista e o leitor suarem. A mesma agonia que Josef K. sente ao percorrer com suas pernas os espaços sujos, velhos e amarelados que servem de cenários à narrativa, pode ser sentida também pelo leitor, quando este percorre com os olhos os mesmos espaços. O texto de Kafka é, antes de tudo, uma obra de arte esclarecida e inteligente. Ao contrário de sua protagonista, O Processo não está encarcerado em liberdade, não se limita ao que está explicitamente escrito. É um livro que vai além, propondo leituras distintas. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 21:24
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Segunda-feira, Março 12, 2007
65° Livro que li: A Morte em Veneza
Autor: Thomas Mann Ano em que li: 2006 Classificação: O PREÇO DO DESLUMBRAMENTO Publicado em meados do século XX, A Morte em Veneza, um dos mais conhecidos livros do alemão Thomas Mann, traz a trajetória de declínio de um aclamado escritor de Munique atormentado por amar um jovem que, para ele, era a personificação da beleza ideal. Gustav von Aschenbach viveu toda a sua vida em função da construção de sua extensa obra literária. Desde muito cedo se dedicou inteiramente a esse propósito e privou-se dos mais comuns prazeres da juventude. Porém, na maturidade, tomado por um impulso desafiador, interrompeu o seu exaustivo trabalho e partiu em viagem pela Europa. Ele só não esperava encontrar em Veneza tudo aquilo que sempre procurou e sempre tentou expressar em sua arte: a forma perfeita e as proporções harmônicas do belo. Foi na figura de Tadzio, garoto polonês de apenas 14 anos, que Aschenbach, rendido à beleza do jovem, inicia um processo gradativo de decadência moral, levando-o a total anulação de alguns de seus mais preservados princípios. Tadzio se encontrava de férias com a sua família em Veneza e estava hospedado no mesmo hotel que Aschenbach. A comunicação entre os dois é frágil ou praticamente inexistente, exceto por alguns olhares trocados. Porém, eles jamais chegam a se falar. Pouco a pouco, Tadzio vai, indiretamente, seduzindo o escritor que, perturbado, se sujeita às mais ridículas cenas. A fixação de Aschenbach é o principal ponto de articulação da história, narrada apenas do ponto de vista do protagonista. Entretanto, embora se tenha indícios de que Tadzio também se sente atraído pelo escritor, o leitor não sabe o que se passa na mente do garoto, pois toda a agonia e todas as sensações apresentadas na novela são frutos apenas das observações de Aschenbach. Nada se sabe da natureza de Tadzio, a não ser aquilo que é apresentado pelo seu admirador. Por isso, o leitor pode se perguntar se não houve exagero em certas situações vividas no livro, se não há imaginações exacerbadas de um homem apaixonado. Muito se fala sobre o caráter autobiográfico de A Morte em Veneza, já que aspectos da vida da personagem principal coincidem com os do autor, como o fato de ele também ter sido um escritor famoso, maduro e bem sucedido. Além disso, há boatos de que Tadzio - certamente um rapaz com outro nome, porém também polonês - teria realmente existido e que Thomas Mann o conhecera durante uma viagem feita à Veneza, em 1911, mais ou menos na mesma época em que se passa a história. A linguagem de Thomas Mann é tradicional e aparentemente não traz grandes influências das correntes modernistas da época. O texto é cheio de pequenas cenas que, de princípio, parecem estar desvinculadas da história principal e apresentam certo ar profético, mas que no fim ganham sentido para o bom observador. Exemplo disso pode ser percebido quando o gondoleiro clandestino some sem receber o seu dinheiro e sustenta a expressão: "você pagará", porém sem mencionar em qual moeda se fará esse pagamento; ou quando o velho rejuvenescido sofre críticas de Aschenbach durante a viagem à Veneza. A Morte em Veneza é uma obra curta, completa e fascinante. E mesmo que seu desfecho deixe a desejar, talvez por ter se tornado um pouco óbvio, é capaz de causar sensações, no mínimo, interessantes e curiosas no leitor, o que faz a sua leitura valer a pena. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 01:35
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
64° Livro que li: Rosália das Visões
Autora: Heliônia Ceres Ano em que li: 2006 Classificação: POTENCIAL LITERÁRIO ENCARCERADO Publicado em 1984, Rosália das Visões, quinto livro da escritora alagoana Heliônia Ceres, tenta mexer com o imaginário do leitor induzindo-o ao campo do inexplicável. Porém, alguns problemas identificados na elaboração de seus textos prejudicam o seu propósito. Heliônia Ceres tem grande facilidade em criar atmosferas carregadas de forte tensão psicológica. Procura explorar o sobrenatural e, em especial, a mente humana. Investiga a loucura e tenta torná-la compreensível, investindo no mistério e no suspense. Entretanto, um dos principais fatores que contribuem para que essa atmosfera torne-se superficial é a velocidade de suas narrativas. Essa brevidade apresenta-se como uma característica marcante, praticamente toda a sua obra é constituída por contos curtos, rápidos, e isso faz com que o leitor não se sinta totalmente envolvido com as tramas. Não que o fato de seus textos serem curtos prejudique diretamente nisso - pois é claro que é possível obter a densidade psicológica com contos breves - a questão é que as temáticas escolhidas mereciam maiores cuidados minuciosos, que ela não teve. Outro ponto que prejudica os textos são os desfechos explícitos que, mesmo surpreendentes algumas vezes, se solucionam completamente e não possibilitam uma maior reflexão por parte do leitor. A autora não permite a imaginação de um final, pois sempre dá ele pronto, não sustenta o potencial de curiosidade do leitor, pois, logo nas próximas páginas, todas as respostas são rapidamente encontradas. Acaba explicando o que, de início, havia proposto ser inexplicável. As personagens são predominantemente femininas e geralmente os contos se passam em ambientes solitários, onde as protagonistas podem exercer seus devaneios. Prevalece a narração em primeira pessoa, todavia se confunde com um segundo narrador, que aparece e desaparece sem aviso, muitas vezes não se distinguindo da própria autora. Quanto à linguagem, Heliônia Ceres dá preferência ao habitual, ao convencional, não prova da criatividade. São três os contos que merecem destaque: "Alguns Outros Seres", o mais metafórico de todos; "As Cantigas de Amigo de D. Dinis", que trata de questões feministas, uma particularidade que sempre esteve presente na vida da escritora; e "Novos Dias de Sempre", que se sobressai por trazer uma personagem masculina como protagonista. Há também um pouco de ironia, como no texto que fecha a seleção: "Dóris e Juliano". Em contos como "Rosália das Visões", "Nas Sombras, Um Rosto", e "Gatos", pode-se observar até um desenrolar inicial interessante, com criação de expectativas, mas logo eles apresentam todas as limitações comentadas anteriormente. Heliônia Ceres inicia uma nova carga psicológica a cada conto de Rosália das Visões, mas não consegue desenvolver consistência suficiente. Acaba excedendo na quantidade de elementos ocultos, que constantemente tornam-se incompreensíveis para o leitor. Seus contos têm muito potencial, muita vontade de transbordar, mas falta empenho, falta mergulhar em seus próprios textos. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 15:56
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Quinta-feira, Dezembro 28, 2006
63° Livro que li: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor: José Saramago Ano em que li: 2006 Classificação: A NATUREZA HUMANA AFLORADA EM MEIO AO CAOS Em Ensaio Sobre a Cegueira, publicado em 1995, José Saramago, único escritor da língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, tece uma suposição de como seria o mundo se todos os humanos ficassem cegos. Sem nenhuma razão aparente, um homem cega enquanto espera o sinal verde do semáforo. Logo, uma epidemia se alastra, sem que nenhuma explicação científica seja suficiente para explicá-la. Entretanto, em vez de total escuridão, as vítimas se deparam com uma espécie de cegueira branca, cheia de luz. O autor parece exprimir que antes do mal-branco os indivíduos já estavam cegos - ou iludidos, de certa forma alienados - e que só agora passaram a enxergar lucidamente quem são, pois, com a nova realidade, a mais autêntica natureza humana é aflorada em meio ao caos. A epidemia traz uma perspectiva nada positiva sobre a condição humana, é quando ela chega mais perto do animalesco e vem à tona sem disfarces, afinal, para que camuflar o que ninguém pode ver? É descrita uma luta impetuosa e dilaceradora pela sobrevivência, acendendo nas personagens as mais espontâneas e egoístas reações. Com a cegueira instaurada, a humanidade precisa estabelecer novas instituições de convívio e reaprender a enxergar e a viver. Um detalhe notável é a ausência de identificação de localidades, datas ou nomes. Durante todo o romance não se sabe nem quando nem onde se passa a história, o que contribui para o seu aspecto atemporal. O anonimato das personagens garante certa impessoalidade e evidencia que as diversas situações seriam similares para todos os cegos. Mesmo sem nomes, algumas delas se destacam quando são identificadas por características pessoais, como "a rapariga dos óculos escuros" ou "o velho da venda preta". Porém, a que mais se sobressai é "a mulher do médico", que segue centrando as atenções em si, pois em um mundo de cegos ela é a única que ainda pode enxergar. Ela vê, literalmente, a degradação a que os homens chegam em tão pouco tempo e sofre em demasia por se sentir responsável por aqueles que a cercam. A peculiaridade na escrita de José Saramago é impressionante pelas imagens que ele é capaz de formar na mente do leitor. São construídas cenas que elevam a tensão da narrativa por conta de seu conteúdo firme. O autor desenvolveu uma linguagem que lhe é própria e que parece se estender por toda a sua obra literária. Com certa dose de ironia, um discurso corrente e condensando cenas inteiras em longos parágrafos - o que forma blocos consistentes -, o texto ganha velocidade. Vírgulas em abundância também são utilizadas em vez de pontos finais e travessões, configurando outra marca relevante de Saramago. Lê-lo parece ser difícil no começo, mas ao acostumar-se com a sua escrita, a leitura torna-se fluente. Infelizmente, o livro se estende mais do que deveria, chegando a perder o fôlego ou a empolgação no final. Em alguns momentos são apresentados quadros e cenas que dariam um desfecho sublime, porém, o autor parece ter finalizado a sua obra apenas para não deixá-la incompleta, pois é como se houvesse perdido o ânimo por ela. O leitor imagina várias hipóteses para o fim da história e acaba chegando à conclusão de que todas elas são improváveis. Porém, certa decepção surge ao se ler o final, pois a mais óbvia das conclusões foi escolhida. Mesmo com um final a desejar, José Saramago compõe uma belíssima obra de arte em Ensaio Sobre a Cegueira e a eleva como objeto de reflexão, principalmente agora quando a humanidade se vê perdida em meio a tantas ideologias e identidades. O escritor instiga o surgimento dos mais sinceros instintos animais e explora com competência as mais primitivas relações humanas. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 21:32
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Domingo, Setembro 17, 2006
62° Livro que li: Farpa
Autora: Arriete Vilela Ano em que li: 2006 Classificação: CUTUCANDO AS FERIDAS DA INFÂNCIA Farpa, o curto livro de contos, publicado em 1988, pela alagoana Arriete Vilela, inflama as feridas que foram abertas há anos e ficaram guardadas, escondendo decepções e desejos coibidos. A infância - principalmente a feminina - é predominantemente o foco das atenções nos contos de Arriete, mas não uma infância estereotipada: feliz e incrivelmente alegre; e sim aquela sofrida, com suas fantasias constantemente reprimidas. A autora fala com bastante propriedade e sensibilidade destas verdadeiras farpas encravadas profundamente na vida de suas mirins protagonistas, que se confundem e dão a impressão de serem uma só. Todas elas também parecem constituir pedaços da meninice da própria escritora. Uma infância sufocada por sutis gestos. Pequenos acontecimentos que machucaram de forma violenta, porém silenciosa, capaz de se avivar com freqüência nas lembranças de mulher adulta. Além da força psicológica com a qual o leitor se depara, há também a presença bastante acentuada de elementos regionais. Isso evidencia o amor que a escritora sente pela sua terra - principalmente pela sua cidade natal: Marechal Deodoro -, ou garante maior pessoalidade às histórias que são narradas por ela. Vários ambientes e aspectos da vida interiorana mesclam-se às questões da infância. Observando os contos "Os Biscuís", "A Promessa" e "A Trave", podemos encontrar, por exemplo, mulheres-mães do interior atormentadas pela dúvida ou certeza da traição de seus maridos - fato que, aliás, é constante e considerado por elas como parte da natureza do homem. Entretanto, são três os contos que mais chamam a atenção: "Farpa", "Verdes Olhos e Um Destino" e "Cirandinha". O primeiro é o que abre a seleção e o responsável pelo impacto inicial. O leitor leva um choque e começa a ter uma idéia da densidade íntima e perplexa que está por vir. Já "Verdes Olhos e Um Destino" se encontra no final do livro e narra toda a vida de uma mulher, do nascimento à sua provável morte, expondo as principais fases de sua vida. Contudo, é em Cirandinha - nesse livro dividido em duas partes - que Arriete extrapola em criatividade. A linguagem utilizada para a composição desse texto é de uma peculiaridade poética impressionante, são vários episódios vividos pela mesma personagem, introduzidos por trechos de tradicionais cantigas infantis. Embora essas três narrativas atinjam certo grau de intensidade, outras, que poderiam ter sido mais bem desenvolvidas, fazem com que o livro perca força em sua totalidade. São elas: "Mariquinha", "Camisolão", "Reveses", "A Promessa" e "A Trave". Esses contos poderiam ter sido mais explorados, visto que têm potencial para tal. Nesses casos, não fora atingida a profundidade que mereciam, por isso tornaram-se de certa maneira rasos. Arriete Vilela é uma das mais conhecidas escritoras alagoanas da atualidade. Sua obra é reconhecida e estudada nos meios acadêmicos e, com certeza, já faz parte da história literária do estado, com acentuada importância. Farpa não é um livro feito para crianças, mesmo tratando da infância. A autora propõe justamente a abertura desse grande baú e o exame das feridas causadas pelas farpas que são impostas a muitos indivíduos quando crianças. Site Oficial de Arriete Vilela Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 11:55
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Domingo, Agosto 20, 2006
61° Livro que li: O Código Da Vinci
Autor: Dan Brown Ano em que li: 2006 Classificação: MUITO BARULHO POR NADA Desde a sua publicação, em 2003, O Código Da Vinci ocupa lugar privilegiado no cenário editorial. Lido por milhões de pessoas ao redor do mundo, vem causando o fascínio de uns, pela sua história de caça ao tesouro, e a repugnância de outros, por conta do seu conteúdo, condenado pela maioria religiosa. Minutos antes de morrer assassinado no Museu do Louvre, em Paris, Jacques Saunière consegue deixar uma mensagem codificada. Esse código levaria a uma intrincada teia de pistas para desvendar um segredo milenar que mudaria completamente a visão do mundo ocidental sobre a história de Jesus Cristo e da Igreja Católica. A partir de então, o simbolista norte-americano Robert Langdon - também protagonista de Anjos e Demônios, outro livro de Dan Brown - é apontado como o principal suspeito pelo crime e passa a ser perseguido incansavelmente pela Polícia Francesa. Entretanto, a morte de Saunière fazia parte dos planos da entidade católica Opus Dei de destruir esse segredo tão bem guardado pelo Priorado de Sião - sociedade secreta que o protegia desde a época de Cristo e que, ao longo dos séculos, teria tido membros como Leonardo daVinci, Victor Hugo e Isaac Newton. Então juntos, Langdon e a criptógrafa francesa Shophie Neveu, enfrentam diversas dificuldades para solucionar o mistério do Santo Graal. Talvez pela grande facilidade de compreensão ou pela presença de assuntos polêmicos, o livro instigue o leitor, dando-lhe a empolgação necessária para a crescente vontade de conhecer o seu final. O autor soube usar muito bem alguns elementos para que isso fosse possível. Exemplos dessas estratégias são: a presença de muitos diálogos de fácil assimilação; a preferência por capítulos curtos; a contenção dos acontecimentos mais importantes no fim de cada capítulo, causando o efeito do suspense; ou a preferência pela narração, em detrimento da descrição. Dan Brown tratou com desleixo a linguagem utilizada em seu livro. Apresenta-nos uma obra pobre e redundante, na qual não há nada de criativo ou inovador. Há, sim, repetição excessiva de palavras, fatos e expressões, como a expressão "deu de ombros", insistentemente pronunciada em várias páginas. Além da redundância, a previsibilidade é outro aspecto que se faz presente, seja com relação a alguns acontecimentos e ações das personagens ou nos próprios diálogos. Também é perceptível a superficialidade com que são tratados os ambientes, a atmosfera e as personagens. Não há exploração psicológica de nenhuma personagem, todas são tratadas de maneira rasa. Nem mesmo a relação amorosa entre Langdon e Sophie, protagonistas do romance, é trabalhada com algum afinco. A situação é ainda pior para as secundárias, tratadas com mais banalidade. Contudo, fica claro que o grande número de personagens é um dos fatores que impossibilita o aprofundamento. Além da linguagem simplória e de outros problemas estruturais citados anteriormente, o livro parece ter sido projetado com a intenção explícita de se tornar um best-seller. Atualmente vários produtos levam o título O Código Da Vinci em suas embalagens, isso prova que o seu potencial vai além das produções editoriais, atingindo as prováveis metas comerciais do autor. Dentro do próprio livro parece haver propagandas de algumas marcas famosas ao serem mencionadas diversas vezes na narrativa. Inclusive um longa-metragem contando a história do romance foi lançado em 2006. A leitura de O Código Da Vinci oferece apenas momentos de entretenimento, com apelação comercial declarada, utilizando-se de assuntos polêmicos para chamar a atenção. Por conta do grande furor causado no mundo com a sua publicação, mais dois livros do mesmo autor foram lançados no Brasil em 2005, pela editora Sextante: Fortaleza Digital e Ponto de Impacto. Provavelemnte, Dan Brown continuará investindo na mesma fórmula e seguindo a mesma linha de seu mais famoso best-seller. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 15:08
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Quarta-feira, Junho 07, 2006
60° Livro que li: Laços de Família
Autora: Clarice Lispector Ano em que li: 2006 Classificação: UM LIVRO PREDOMINANTEMENTE MATERNO Clarice Lispector transborda em sensibilidade na elaboração de Laços de Família. Publicado em 1960, o primeiro livro de contos da autora traz uma seleção de treze textos que mergulham intensamente em situações comuns à maioria das famílias brasileiras de classe média. O livro se mostra muito mais do que simples exposição do cotidiano. Aprofunda-se na condição de vida humana e na interioridade secreta de cada indivíduo. Particularidades não divididas com a família, apenas manifestadas inconscientemente. Clarice leva o leitor a compartilhar das lacunas abertas de suas personagens. Além disso, mostra como a unidade familiar pode ser cruel ao infringir a liberdade de um de seus membros e, também, de como pode uni-los, servindo de apoio para a não culminância das fraquezas humanas. As personagens dos contos pertencem a diferentes hierarquias. Porém, a escritora dá preferência à mãe, tratando-a de maneira bastante pessoalizada. As abordagens se concentram nos conflitos internos que eclodem de repente nas horas em que os afazeres domésticos já foram terminados. O momento perigoso leva a mulher-mãe em crise e é exatamente nesse ponto que Clarice pratica a sua aguçada sensibilidade. Contos como "Devaneio e Embriaguez Duma Rapariga", "Amor", "A Imitação da Rosa", "Feliz Aniversário" e "Os Laços de Família" são exemplos disso. A temática do livro é bem trabalhada. Além da questão da mãe, outros aspectos distintos são trazidos à tona, sempre explorando o interior da personagem trabalhada. Alguns deles são: a relação entre o pré-adolescente que precisa de dinheiro e seus pais em "Começos de Uma Fortuna"; a agonia de uma mulher traída andando pelo zoológico no ótimo "O Búfalo"; e a relação de um homem e seu cão - que para muitos também é considerado integrante da família - em "O Crime do Professor de Matemática". Já em "Preciosidade", a autora parece escrever intimamente sobre si mesma ao falar de uma tímida garota de 15 anos que enxerga de maneira singular a sua realidade. Clarice Lispector mais uma vez surpreende e extrapola na criatividade e no seu estilo próprio - características de sua escrita. A autora se faz presente em seus textos, talvez se descrevendo fielmente nas situações e nas personagens, que assim não parecem criações fictícias, mas sim a própria Clarice vivendo os seus momentos perigosos diários. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 13:31
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Domingo, Abril 30, 2006
59º Livro que li: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres
Autora: Clarice Lispector Ano em que li: 2006 Classificação: EU, SER, AMOR E FILOSOFIA Com um texto criativo, articulado e que "se pediu uma liberdade maior", Clarice Lispector, em Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, descreve a aprendizagem de Lóri para descobrir os prazeres que podem ser desfrutados estando viva. Viver era doloroso para Lóri, pois não sabia direito o que era ser. Com a ajuda de seu namorado, Ulisses, professor universitário de filosofia, ela embarca na tentativa de aceitar viver, ou de amenizar a sua espera pela morte. Ulisses, que se encontra em um estágio mais avançado da mesma aprendizagem, mostra para ela que é possível ser feliz por meio do prazer no ato de existir. Clarice traz à tona os questionamentos mais particulares que, em alguma vez na vida, eclodem nos pensamentos de qualquer um. Além disso, a escrita se mostra bastante palpável, passando veracidade nas situações em que mostra conflitos existenciais. Isso faz com que o leitor se identifique com o texto constantemente e também sinta as sensações experimentadas pela protagonista. O livro, publicado em 1969, traz um grande teor filosófico e propõe que o leitor acompanhe e aprenda junto com Lóri a aproveitar a vida e a sentir mais prazer, muitas vezes, na simplicidade do mar, com a chuva ou por meio de uma fruta como a maçã. O casal aprende que o prazer acarretará no amor verdadeiro e os dois esperam um pelo outro. Há uma grande alusão ou homenagem a um amor não-banal. Clarice Lispector explora uma liberdade impressionante em sua escrita, começa o romance com uma vírgula e termina com dois pontos. Também põe si mesma para refletir ora em Lóri, ora em Ulisses. Os dois parecem ser partes semi-distintos da mesma Clarice. Ao escrever, é como se ela tentasse se descobrir em face de suas personagens, buscando responder aquela que diz ser a mais difícil das perguntas: "quem sou eu?". Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 19:24
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Terça-feira, Abril 11, 2006
58º Livro que li: Alice no País das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll Ano em que li: 2006 Classificação: UM LIVRO INTELIGENTE E ESTIMULANTE Alice no País das Maravilhas, publicado em 1865, pelo matemático inglês Charles Lutwidge Dodson - verdadeiro nome de Lewis Carroll -, tornou-se um dos livros de maior influência na literatura infantil e encanta o público de todas as idades até os dias de hoje. Alice estava sentada à beira do lago com sua irmã, que lia um livro sem figuras, quando viu um coelho branco correndo apressado. A partir desse momento, a curiosa menina embarca em um mundo sem nexo, incompreensível. Encontra personagens intrigantes e enfrenta situações inimagináveis, com soluções ainda mais impossíveis ou mirabolantes. Além do bom humor e da criatividade, a obra máxima de Lewis Carroll preocupa-se em expor elementos matemáticos em sua construção. Isso ajuda no desenrolar da intrincada história, pois o autor, em algumas passagens, extrai a lógica dos acontecimentos, propondo aos leitores que reflitam sobre o que faz sentido e sobre o que não faz. Também explora alguns fatos da sociedade inglesa da época, como os maus tratos à criança - quando a Duquesa bate em seu bebê -, o abuso de autoridade dos monarcas - por meio da engraçadíssima personagem da Rainha de Copas - e problemas existenciais, como podem ser percebidos no diálogo entre Alice e a Lagarta. O romance também traz vários desenhos, cantigas infantis e poemas que são declamados ao longo da história. A linguagem é bastante simples - já que é direcionado ao público infantil - e a seqüência de acontecimentos é dinâmica, não se detendo muito em descrições. Porém, a edição da L&PM, com sua coleção Pocket, traz erros de digitação ou formatação, como é possível ver em algumas aspas irregulares presentes no texto. As aventuras de Alice ganharam várias versões para o cinema, das quais a mais famosa é o longa animado de Walt Disney, produzido nos anos 50. Além disso, a personagem é referência em peças teatrais, músicas, videoclipes e diversos produtos comerciais. Há também uma continuação lançada em 1871, chamada Alice no País dos Espelhos. Ao contrário da maioria dos livros infantis de hoje, Alice no País das Maravilhas não é mais um livro com figuras em todas as páginas, com um texto escasso e letras imensas, ele ajuda no desenvolvimento do raciocínio e convida a criança à imaginação. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 14:18
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Segunda-feira, Abril 03, 2006
57º Livro que li: Flush
Autora: Virginia Woolf Ano em que li: 2006 Classificação: A HUMANIZAÇÃO DOS SENTIMENTOS DE UM CÃO EM UM LIVRO LEVEMENTE BIOGRÁFICO Depois do desgaste mental durante a composição de As Ondas, Virginia Woolf se empenha em um livro mais simples, porém, não abandona as questões existenciais, que agora são apresentadas por meio das memórias de um cocker spaniel. Flush tem valor biográfico, mesmo contendo a maioria de suas cenas fictícias. O livro traz fatos da vida real do cão e de sua dona, a poetisa inglesa Elizabeth Barrett, que viveu no século XIX. A idéia de Flush é fruto da leitura de cartas trocadas por Barrett e, o também poeta, Robert Browning, que posteriormente viria a ser seu marido. O cão era constantemente mencionado nessas correspondências e a partir daí, Virginia Woolf teve a idéia de transformá-lo em personagem, trazendo-lhe novamente à vida. Embora tenha sido o menos elaborado e o menos denso romance da autora, foi o que obteve melhor êxito comercial, tornando-se bastante popular desde a data de sua publicação, em 1933. Mesmo sendo leve, a abordagem existencial característica de Woolf não fora deixada de lado, está presente de forma bastante sutil quando as recordações e os sentidos aguçados do cocker spaniel são narrados. Durante a sua vida, ele expressa sentimentos, como o amor, o ódio e o ciúme, que são constantemente entendidos pelos humanos, principalmente por Elizabeth. A linguagem é bastante criativa e articulada, entretanto há uma excessiva repetição desnecessária de palavras, talvez por conta da autora ou da tradução de Ana Ban. A edição da editora L&PM traz também erros de digitação - inclusive logo na primeira página, na primeira linha - pois mantém juntas as palavras "de origem", que aparecem no texto da seguinte maneira: "deorigem". A editora parece não ter se preocupado em obter a excelência da obra. Virginia Woolf acerta mais uma vez em sua ficção. Proporciona aos seus leitores uma história cheia de graça e suavidade, levemente biográfica. Mantendo-se centrada em sua escrita e proposta literária, resgata um pouco a vida londrina da metade do século XIX e de dois poetas da literatura inglesa. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 12:53
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Segunda-feira, Março 20, 2006
56º Livro que li: A noite escura e mais eu
Autora: Lygia Fagundes Telles Ano em que li: 2006 Classificação: CONTOS DE CONFLITOS INSOLÚVEIS A noite escura e mais eu, primeiro livro de contos inéditos publicado por Lygia Fagundes Telles, após um breve intervalo no gênero, traz textos selecionados com esmero. A autora mantém sua particular e distinta escrita, além de se deter em maiores cuidados na constituição de suas histórias, transformando este livro em uma coleção de contos extremamente elaborados. Os contos de Lygia, em sua maioria, não são explícitos, evidentes. Exigindo do leitor a capacidade de reflexão, fazendo com que ele participe da história para buscar a essência dela. Em seus textos, os fatos são fornecidos, mas não destrinchados e, por isso, muitas vezes o leitor acha o conto incompreensível ou insensato, sem nexo. Em A noite escura e mais eu os contos são mais pensados e também discretos, exigindo mais atenção e compreensão de quem lê. Com esse livro, Lygia novamente traz abordagens polêmicas, que incomodam a moral da sociedade. Exemplo disso é o homossexualismo nos contos "Você não acha que esfriou?" e "Uma Branca Sombra Pálida", assunto já discutido em outros livros dela como Ciranda de Pedra e As Meninas. Além disso, a exclusão infantil causada pela família, tema também já explorado em Ciranda de Pedra, pode ser percebido em "A Rosa Verde". A prostituição, o preconceito e a intolerância em "O Segredo". Novamente a exclusão infantil, somada a memórias de infância e à relação problemática - até traumática - de professores e alunos em "Papoulas em Feltro Negro". Também a velhice, a eutanásia e a inclusão de objetos modernos como o celular, fruto da percepção aguçada da escritora - o livro foi publicado em 1995 - no excelente "Boa Noite, Maria", que também envolve certo mistério. Esse elemento não poderia mesmo faltar em um livro de Lygia Fagundes Telles, o mistério, que marca presença no conto "Dolly", abrindo a seleção. As protagonistas dos contos de Lygia são predominantemente femininas. A escritora intensifica a sua sensibilidade e busca penetrar no psicológico de suas personagens, sejam elas crianças, adultas ou idosas, por meio do fluxo da consciência. Além disso, o clima de suspense, tão comum em suas composições, continua presente neste livro, mas cede espaço para o pensamento, a interiorização das recordações e para as minúcias que ajudam na concretização da problemática. A noite escura e mais eu vem à tona como um excelente resultado de dedicação e esforço racional, para formar textos coerentes que passam ao leitor toda a idéia pretendida pela autora, com elegância na escrita e inteligência em sua construção. Além disso, o título, tirado de um poema de Cecília Meireles, está diretamente relacionado com os contos, mostrando personagens solitárias em meio a uma teia de problemas que influi de formas diversas na vida de cada uma delas, como se estivessem sozinhas e perdidas em uma noite escura, assustadora, em que elas precisarão saber como atravessar ou então sucumbir no meio do caminho. Site Oficial de Lygia Fagundes Telles Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 20:54
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Segunda-feira, Março 13, 2006
55º Livro que li: As Meninas
Autora: Lygia Fagundes Telles Ano em que li: 2006 Classificação: DEDICAÇÃO E DENSIDADE, ALÉM DA VALORIZAÇÃO DA PALAVRA Em seu mais popular e premiado romance, publicado em 1973, Lygia Fagundes Telles faz experimentações com a linguagem, inovando em sua escrita e apresentando um texto ligado ao fluxo do pensamento de três jovens distintas. Além disso, critica com sutileza a falta da liberdade provocada pela ditadura brasileira. A autora explora o particular, o íntimo de três universitárias que moram em uma pensão de freiras. As três procuram meios para se libertar numa época em que o país sofria o ponto máximo da repressão militar e da censura. Mesmo com toda essa imposição, cada uma, a seu modo, faz planos para o futuro e tanta garanti-lo. Lia está sempre discursando sobre seus ideais socialistas, até nas horas de descontração. Ana Clara é dependente de drogas e planeja se casar com um velho rico. Lorena é estudante de Direito e, aparentemente, a mais fútil das três, sempre preocupada com a limpeza e a estética de tudo e todos. A narração é alternada entre Lia, Lorena, Ana Clara e uma quarta voz. Cada narrador conta a história abordando o seu ponto de vista, o que dá uma maior articulação aos acontecimentos. As conexões estabelecidas entre o interior, consciente e inconsciente, das personagens e o leitor são intensas, fazendo com que ele acompanhe o pensamento das protagonistas no exato momento em que ocorrem, dando mais realidade à teia de situações que é construída, aceitando as constantes quebras e mudanças repentinas de idéias, além da fuga da exatidão, do concreto. Lygia mostra-se, mais uma vez, uma escritora de meio, onde o passado praticamente não é revelado e a perspectiva do futuro é incerta. Durante o desenrolar da trama, apenas alguns fatos são lembrados, geralmente as recordações mais importantes, algumas que até causaram traumas que podem explicar determinadas atitudes tomadas no presente. Assim, a autora atiça a criatividade do leitor, fazendo com que ele dê o desfecho da história. Exímia contista, Lygia Fagundes Telles parece dividir os doze capítulos de As Meninas em contos interligados. E mesmo escrevendo de forma singular, não perdeu a sua personalidade característica para criar personagens, cenas e assuntos polêmicos, envolvendo o leitor em mistérios e surpresas, dando-lhes a oportunidade de reflexão sobre o que foi lido. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 23:19
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Sexta-feira, Março 03, 2006
54º Livro que li: A Moreninha
Autor: Joaquim Manoel de Macedo Ano em que li: 2005 Classificação: INGENUIDADE NO AMOR E SIMPLICIDADE NO ROMANCE Publicado inicialmente em folhetim, no ano de 1844, A Moreninha tornou-se marco da literatura por ter sido considerado o primeiro romance do Brasil. Joaquim Manoel de Macedo cria uma doce e leve história de amor, seguindo os moldes do estilo romântico, predominante na época. Uma aposta de estudantes leva Augusto até a casa da avó de Filipe, seu amigo de faculdade, na Ilha de... - acredita-se que seja a ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, pois o autor colocava reticências para omitir nomes de algumas localidades - onde passaria um final de semana. É durante essa visita que surge uma estranha atração entre Augusto e a irmã de Filipe, Carolina ou Moreninha, como também era conhecida. Durante toda a trama, o casal experimenta diversos desencontros, principalmente por conta de suas personalidades aparentemente distintas, fazendo com que a simpatia fosse ausente. Porém, com o desenrolar da história, a situação muda e certa intimidade vai sendo criada. O autor trata com sutileza a rotina vivida pela burguesia do Rio de Janeiro no século XIX, mas sem se aprofundar no assunto, enfatizando apenas as festas e as relações sociais da época. A linguagem apresenta descrições que buscam ilustrar com belas imagens os cenários e as personagens, características do Romantismo. Também há a presença de flash-backs e, claro, do final feliz. Entretanto, é a utilização da metalinguagem que adquire um grande destaque no final da história. Macedo é humilde em sua obra e a classifica como "uma criança travessa", pedindo desculpas por suas eventuais falhas ou incoerências. Pode não ter sido pioneiro ou original, o livro é até bastante simplório e superficial, mas o grande sucesso e popularidade de A Moreninha contribuíram diretamente para a constituição da cultura brasileira, pois garantiu e consolidou definitivamente a prosa no Brasil. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 20:17
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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
53º Livro que li: 100 escovadas antes de ir para a cama
Autora: Melissa Panarello Ano em que li: 2005 Classificação: UMA AUTOBIOGRAFIA APELATIVA Em 2003, com apenas dezoito anos, a adolescente siciliana Melissa Panarello publica 100 escovadas antes de ir para a cama, relatando as suas primeiras relações sexuais e de como perdeu as esperanças que mantinha no amor. Ao longo da trama, a escritora mostra o quanto as suas experiências com rapazes tornaram-se sórdidas. Utilizando eufemismos, a sua intimidade é descrita com riqueza de detalhes. Tudo que Melissa procurava era se apaixonar por um homem que a entendesse e quisesse manter um relacionamento sério, porém, aqueles que a cercaram abusaram de sua inocência, deixando-a desconsolada. Essa atmosfera estimulou o surgimento da promiscuidade e, com isso, a perda da ingênua menina. O livro chocou a Itália conservadora, todavia é um exemplo de como os adolescentes podem estar desamparados em suas descobertas. Por conta da timidez dos pais e dos jovens em dialogar sobre sexo, ou até mesmo por causa dos preconceitos e tabus da sociedade moralista, não há segurança capaz de promover um desenvolvimento sexual saudável. Por outro lado, o excesso de passagens apelativas pode representar uma jogada de marketing. Há quem diga que nem todas as situações presentes no enredo são verídicas e percebe-se que a autora procurou abordar assuntos polêmicos como o sadomasoquismo, o lesbianismo e o sexo grupal, absorvendo, assim, um número maior de leitores. Além disso, foi adotada a forma de diário para se contar a história e uma linguagem muito simples, a ponto de tornar-se pobre e infantil. 100 escovadas antes de ir para a cama apresenta-se como mais um livro sensacionalista, não considerado uma obra-prima, mas que vende muito, alcançando o seu objetivo. Contudo, ainda retrata a realidade do sexo sem responsabilidade, bastante freqüente na adolescência. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 12:20
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
52º Livro que li: Memória de minhas putas tristes
Autor: Gabriel García Marquez Ano em que li: 2005 Classificação: A SUTILEZA DE UM AMOR INOCENTE AOS NOVENTA ANOS Memória de minhas putas tristes relata a história de um homem que em seu aniversário de noventa anos resolve se presentear com uma noite de amor acompanhado por uma prostituta virgem. Tarefa difícil para a cafetina Rosa Cabarcas, que mesmo com toda dificuldade, encontra uma menina de catorze anos, a quem o velho batizou de Delgadina. O personagem núcleo da trama é um senhor amargurado e solitário, que só encontra um sentido para existir no final de sua vida, por meio de um amor que consegue levantar-lhe o ânimo e a vitalidade, além de despertar-lhe emoções que tinham sumido há décadas. Mas esse amor é sentido de uma forma completamente singular, de maneira doce, como ele nunca havia experimentado, basicamente ligado à admiração e à contemplação do ser amado. Gabriel García Márquez, por meio de observações pessoais, compartilha suas próprias experiências, transmitindo algumas informações e relatando situações vividas no cotidiano daqueles que já passaram dos sessenta. Assim, há uma tentativa de fazer o leitor compreender as constantes limitações e, principalmente, as inúmeras possibilidades de conquistas que cercam o idoso. O livro mostra como é amar na avançada idade do protagonista, aposentado jornalista que exprime todo o seu sentimento no jornal o qual escreve uma crônica por semana. Além disso, é mostrado o desejo sexual, o ciúme - quase adolescente - e os anseios que ainda podem ser fortemente característicos na terceira idade. Todos os idosos presentes no romance afirmam não se sentirem com a idade que têm e essa sensação o autor pretende passar com fidelidade a quem lê. A narrativa é simples, bem dinâmica e pouco detalhista, utiliza também alguma ironia. É uma leitura rápida e fácil, mas essa eficiência tira um pouco o sentimento, mesmo que tenha, por essência, a intenção de ser leve e sutil. Uma boa leitura para quem procura conhecer a vida de um idoso e de suas memórias de noites boêmias. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 00:38
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Quinta-feira, Novembro 24, 2005
51º Livro que li: A Invasão
Autor: Dias Gomes Ano em que li: 2005 Classificação: UM RETRATO DE FAMÍLIAS SEM-TETO E SEM FUTURO Várias famílias faveladas fugidas de uma enchente em um morro do Rio de Janeiro invadem um prédio abandonado, causando divergências entre a polícia e seus membros, que ao permanecerem na construção, começam a alterá-lo instaurando modificações que melhorassem as suas vidas. Essa é a situação vivida pelos personagens de A Invasão, uma das mais significativas peças do teatro moderno brasileiro dos anos 1960. Dias Gomes explora o problema daqueles que não tinham nem o direito à moradia, tema ainda bastante atual. São abordadas as mazelas de cidadãos pobres que mesmo vivendo sobre condições precárias, faziam questão de manter a honra, a moral e a dignidade, que muitas vezes precisavam abdicar em prol da sobrevivência, diante da fome que nessas circunstâncias causa desespero. Além da fome e da moradia, outros temas são trabalhados no texto do autor, como a perseguição aos socialistas, realidade comum naquela época, o drama de meninas que para garantirem a alimentação precisavam se prostituir e a vida dos retirantes no Rio de Janeiro. Todavia, um dos aspectos mais notáveis que o autor desenvolve é a corrupção de policiais, que por muitas vezes dão proteção aos criminosos em troca de dinheiro, e de políticos, que prometem benefícios que não pretendem cumprir em troca de votos. Com diálogos bem construídos, indo à raiz da situação e mostrando isso claramente, o autor expõe um dos maiores problemas do Brasil: a exclusão social, que mesmo após mais de quinhentos anos consolidada no país, está ainda muito longe de ter uma solução que a torne inexistente. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 18:58
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Domingo, Novembro 20, 2005
50º Livro que li: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka Ano em que li: 2005 Classificação: A INGRATIDÃO E AS RELAÇÕES FAMILIARES Após acordar metamorfoseado em um inseto, Gregor Samsa sofre o descaso de sua família que passa a considerá-lo um estorvo. Franz Kafka transmite densamente em A Metamorfose, um de seus livros mais famosos, o sofrimento e os problemas existenciais do protagonista de maneira crua e livre de eufemismos. Todos os membros da família de Gregor pareciam indefesos, frágeis e dependentes do seu sustento, afinal, trabalhava exaustivamente para manter a casa e pagar a dívida do pai. Mas numa manhã acordou transformado em um inseto monstruoso, fruto de uma mudança natural ocorrida em sua mente. Naquela noite, havia aceitado suas particularidades, mas ainda assim fora difícil se acostumar à nova realidade. Esse novo comportamento causava medo. A metamorfose induziu variações de pensamentos em ambas as partes e foi natural um período de adaptação onde vários sentimentos estavam inclusos, mas logo a família muda também e já não depende mais de ajuda financeira. Mesmo estando muito tristes, quando os parentes de Gregor percebem que já não precisam mais dele, o consideram inconveniente. O fato é que Gregor se sacrifica inteiramente por sua família, mas ela é extremamente ingrata, dispensando-o no momento em que ele mais precisa de apoio, sem ajudá-lo a se reerguer. Os problemas pessoais de Kafka são expostos em sua narrativa. Pode-se perceber que a realidade abstrata da personagem principal é um reflexo da realidade concreta do autor, que procura transmitir no texto todo o seu sofrimento em forma de protesto ou como um simples desabafo. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 23:59
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Sábado, Novembro 05, 2005
49º Livro que li: 1984
Autor: George Orwell Ano em que li: 2005 Classificação: "QUER UMA VISÃO DE FUTURO? IMAGINE UMA CABEÇA SENDO PRENSADA NO ASFALTO POR UMA BOTA" Em seu mais significante e último livro publicado em vida, George Orwell critica novamente os governos totalitários. Impulsionado por sua profunda decepção com o rumo que o mundo tomava, o autor descreve em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro suas previsões sobre um futuro catastrófico. Winston Smith era um membro do partido socialista inglês, o Ingsoc, que havia tirado o direito de liberdade e privacidade dos cidadãos, observando e controlando suas vidas através de aparelhos denominados tele-telas. Winston não aceitava tudo isso passivamente, acreditava em valores como a fraternidade e a solidariedade, que o partido fizera questão de extinguir, mas a repressão era intensa e o indivíduo que fosse condenado passava a não existir, era apagado da história, como se nunca houvesse nascido. Todos deviam fidelidade ao Grande-Irmão, que zelava pela sociedade e tinha seu rosto e seu nome estampados por todos os lugares. O autor constrói uma sociedade fictícia, onde expõe toda sua perspectiva e propõe um declínio da humanidade, uma involução. A população se tornava cada vez mais artificial e mecânica, privada de individualidade, de sentimentos e até de pensamentos. Condenada à limitação de idéias, à obediência cega e à servidão exaustiva e contínua. Não havia mais desenvolvimento científico voltado à população, que apenas usava precariamente os recursos do passado, que já se deterioravam. O partido construía um caminho sem volta, manipulava a história, destruindo assim o único mecanismo que poderia dar uma oportunidade à ascensão dos oprimidos. Anulando o passado e introjetando os conceitos impostos pelo Ingsoc, o governo estaria livre para sempre de qualquer revolução ideológica que modificasse o sistema. Mas a realidade mostrada em 1984 estaria tão distante assim da realidade vivida por Orwell? Seu objetivo era alertar o mundo. Seu texto mostra conseqüências de atos que já eram praticados há décadas. É seu apelo para fazer a humanidade refletir e buscar novas soluções para suas desigualdades por um meio pacífico. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 12:59
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Sábado, Outubro 22, 2005
48º Livro que li: O Morro dos Ventos Uivantes
Autora: Emily Brontë Ano em que li: 2005 Classificação: A AGRESSIVIDADE QUE TORNA O ROMANCE SINGULAR O Morro dos Ventos Uivantes é um livro no mínimo curioso, onde os protagonistas apresentam características fortes, como o temperamento explosivo e a violência, que acabam interferindo no comportamento das personagens secundárias. Diferentemente do modelo seguido no século XIX, Emily Brontë desenvolve em sua obra maior uma história de amor excêntrica onde o grande impulso emocional não são virtudes, como a sutileza ou a doçura, e sim, a obsessão pelo outro, o ciúme descontrolado e o excessivo sentimento de posse. Heathcliff foi levado à casa dos Ernshaw por caridade, com o passar dos anos, a afeição entre ele e Catherine se torna mais acentuada e a relação passa de amizade de infância à grande amor, com uma devastadora força. Heathcliff sempre foi grosseiro e essa característica o acompanhou permanentemente. O ódio que mantinha sobre tudo e todos o transformara em um ser diabólico, capaz das maiores atrocidades, contra até mesmo seu filho. Toda a sua vida viveu em função de Catherine e a extrema dedicação à memória de sua amada abala duas famílias, ultrapassando até mesmo limites físicos. A magnitude do livro se encontra em suas grandes cenas, onde a tensão se mistura a emoção e a curiosidade. A construção do tempo é bastante clara e coesa, permitindo um bom entendimento de seus momentos. E além de personagens marcantes, com sentimentos levados ao extremo, capazes de enfrentar tudo para defendê-los, também apresenta as características do Romantismo, que eleva o nível do enredo e o transforma em uma grande obra-prima, capaz de proporcionar ao leitor horas de prazer, adrenalina, apreensão e suspense, tornando a sua leitura agradável e dinâmica. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 15:34
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Sexta-feira, Setembro 30, 2005
47º Livro que li: O Pequeno Príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry Ano em que li: 2005 Classificação: UM LIVRO INFANTIL, FEITO PARA ADULTOS Um principezinho vive em um pequeno planeta onde é dono de 3 vulcões e de uma rosa muito exigente, que ele adorava. Um dia resolveu viajar pelo espaço a procura de amigos, visitando vários planetas, inclusive a Terra, adquirindo aprendizagens e também transmitindo sua bondade, ingenuidade e pureza àqueles que conhecia ao longo do caminho. No decorrer da narrativa, o autor passa às crianças, através de metáforas, suas convicções sobre o mundo e sobre as necessidades individuais e coletivas. Exemplos disso são os baobás que representam o sentimento negativo que pode crescer continuamente em um organismo indefeso e a rosa, que representa o amor e a necessidade que se tem de obtê-lo. Uma das mais interessantes passagens do livro é a visita aos seis planetas, antes de chegar à Terra. Neles, o pequeno príncipe encontrou um rei, que pensava que todos os homens eram seus súditos, um vaidoso, que só ouvia os elogios, um bêbado, que bebia para esquecer que tinha vergonha de beber, um empresário que passava todo tempo contando e recontando as estrelas que pensava possuir, uma cendedor de lampiões e um geógrafo. Na Terra, incrivelmente, ele encontrou grandes somas de todas essas personalidades. Isso mostra o quanto o autor se preocupava com as relações humanas e com a decadente situação da sociedade, cheia de gente que não dá atenção suficiente ao que realmente é importante, ao que é excencial. Outro fato peculiar é a semelhança, em algumas partes, com a história de Cristo. Pode-se tomar como exemplo: o encontro com a serpente no deserto - que tenta fazê-lo cair em tentação -, a volta ao planeta de onde veio por meio da subida aos céus, a questão do corpo humano ser impuro e pesado demais para ser erguido junto ao espírito e a espera de que um dia ele volte. O Pequeno Príncipe, publicado pela primeira vez em 1943, é uma das mais famosas fábulas infantis, mas não é apenas dirigida a crianças, já que Saint-Exupéry pretende abrir os olhos dos adultos com sua obra. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 13:18
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Domingo, Setembro 18, 2005
46º Livro que li: Os Maias
Autor: Eça de Queirós Ano em que li: 2005 Classificação: FUGA DE FOCO QUE PREJUDICA A RELAÇÃO INCESTUOSA Carlos Eduardo da Maia é membro de uma das mais tradicionais e respeitadas famílias de Portugal, foi educado à inglesa por seu avô, Afonso da Maia, e tornou-se médico posteriormente, mas sua carreira profissional não progredira, passando então a maior parte do tempo executando o papel de ilustre cavalheiro. Desiludido pelo rumo que tomara a sua vida ociosa, encontrou em Maria Eduarda um grande amor, mas o que nenhum dos dois sabia é que eram irmãos e assim a relação tornou-se impossível, marcando para sempre a vida desses dois jovens. Além do incesto, Eça de Queirós aborda outras questões polêmicas como as traições matrimoniais e o conflito entre Romantismo e Realismo vivido nas figuras de João da Ega, melhor amigo de Carlos, e Alencar, poeta e defensor do estilo romântico. Também critica a calamitosa situação na qual se encontrava Portugal e durante os prolongados jantares presentes no livro, situações políticas, econômicas e culturais são discutidas pelas personagens, constituídas em sua maioria por capitalistas e representantes políticos. Por conta da atenção do autor à essas questões, há um deslocamento no foco principal da história, às vezes, deixando o caso amoroso entre os dois irmãos em segundo plano e exaltando apenas as reuniões que Carlos participava. Cenas desnecessárias ocupam muitas páginas tornando a leitura lenta e monótona, mas é possível perceber que há uma ótima construção de capítulos, belas descrições e grandes momentos de tensão e apreensão que levam o leitor ao ponto máximo da expectativa, o problema é que essas cenas são abafadas pela grande quantidade de rodeios. Eça de Queirós concluiu Os Maias ao longo de uma década e tentou transformá-lo em uma obra magnífica utilizando-se de longos diálogos sem função e de excesso de personagens, esquecendo-se da simplicidade, mas conseguiu reproduzir o retrato de seu país e do mundo imperialista do final do século XIX. Recomendo àqueles que gostam de histórias de época e que têm paciência para ler um extenso texto com muitos detalhes e várias abordagens. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 00:01
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Quarta-feira, Agosto 31, 2005
45º Livro que li: O Quinze
Autora: Rachel de Queiroz Ano em que li: 2005 Classificação: A SECA E AS QUESTÕES FEMINISTAS O Quinze, publicado em 1930, apresenta dois planos distintos que interagem entre si. No primeiro, há uma história de amor entre Conceição e Vicente e no segundo, é mostrada a peregrinação exaustiva de Chico Bento e sua família, que fugia do sertão cearense. Durante a grande seca de 1915 as condições de trabalho tornaram-se escassas, assim como a plantação e a criação de animais. Muitos abandonavam as terras em que viviam para procurar melhores meios de vida. Com a família de Chico Bento não foi diferente, partiram à pé em direção à Fortaleza de onde pretendiam seguir para o Amazonas, sofrendo privações e desgraças durante o trajeto. O romance entre Conceição e seu primo Vicente é cheio de desencontros e torna-se cada vez mais impossível à medida que as diferenças entre os dois são acentuadas. Conceição era uma professora da cidade muito ligada à seus estudos, gostava de ler livros feministas e socialistas para se aprofundar no assunto. Já Vicente era um rude trabalhador rural que persistia em permanecer no sertão, nunca quis estudar, pois achava desnecessário, mas no íntimo lamentava por isso e sentia-se inferior ao ver seus outros irmãos formados e doutores na capital. A autora trabalha na protagonista uma questão particular para as demais mulheres sertanejas: a independência feminina. Conceição recebera educação, ganhava seu próprio dinheiro e não sentia vontade de casar, embora gostasse de Vicente, e chegou até a criar um afilhado sozinha. A libertação feminina, vista pela perspectiva de uma sertaneja como uma alternativa de vida, é incomum já que a falta de conhecimento fazia a comunidade não tolerar esse tipo de pensamento. Isso se comprova ao analisar as críticas de mãe Nácia, avó de Conceição, que a aconselhava a casar e a ter uma vida comum como todas as outras mulheres ditas decentes. Mas ela queria mais do que o casamento lhe oferecia, acreditava que sua vida poderia ser mais bem aproveitada. O romance de Rachel de Queiroz, um dos pioneiros da segunda fase modernista, é um livro bastante simples, de poucas páginas, mas com cenas realmente tocantes, principalmente as situações vividas pela família de Chico Bento que emocionam ao se aprofundarem nas condições desumanas às quais um indivíduo está sujeito a sofrer. Foi escrito por uma mulher de apenas 19 anos que soube misturar suas lembranças de infância às idéias que defendia e acertou em sua narrativa por ser clara, objetiva e direta. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 15:22
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Terça-feira, Agosto 02, 2005
44º Livro que li: Um Estudo em Vermelho
Autor: Sir Arthur Conan Doyle Ano em que li: 2005 Classificação: ENTRETENIMENTO DE PRIMEIRA QUALIDADE Um Estudo em Vermelho, publicado em 1887, foi o primeiro livro da série Sherlock Holmes, um dos pioneiros das histórias policiais de dedução e não demorou muito para que o detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle se tornasse um dos personagens mais famosos da literatura. A trama se passa em Londres, na segunda metade do século XIX. O detetive particular Sherlock Holmes, contando com a ajuda do doutor Watson, investiga um assassinato que desafia a Scotland Yard por ser um crime misterioso onde nada fora roubado e onde a vítima não apresentava ferimento algum, apenas sangue espalhado por todos os lados, o que só fazia crescer as incertezas, afinal, de onde viera todo aquele sangue? O livro é dividido em duas partes. Na primeira, as anotações do diário do doutor Watson são mostradas, apresentando diversos fatos, pistas, o poder intuitivo de Sherlock, acúmulo de hipóteses e situações aparentemente sem nexo algum. A segunda parte acontece em Salt Lake City (EUA) e traz os antecedentes do assassino. O autor desenvolveu uma teia de acontecimentos que contagia o leitor dando-lhe tensão com o suspense e a resolução dos enigmas, utiliza recursos criativos para dar embasamento às descobertas de Holmes. É uma ótima alternativa para quem procura desenvolver um raciocínio lógico e rápido, é o tipo de livro que exercita a mente e estimula a observação de detalhes. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 20:27
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Domingo, Junho 26, 2005
43º Livro que li: A Hora da Estrela
Autora: Clarice Lispector Ano em que li: 2005 Classificação: EXCLUSÃO QUE GERA FALTA DE AMOR PRÓPRIO Em A Hora da Estrela (1977), Clarice Lispector conta com irreverência e originalidade a história do desamparo de uma alagoana que mal tinha consciência de existir. Macabéa era feia, magricela, amarela, estéril, atormentada por uma dor de dente e nunca vomitava para economizar comida. Parecia uma idiota, fazia perguntas sem nexo e que não tinham ou não precisavam de respostas, não entedia o que lhe diziam, não prestava atenção ao que acontecia ao seu redor, mas estava sempre atenta as coisas mais insignificantes e tolas. Sempre fora excluída por todos, desde a infância, isso fez com que subjugasse a si mesma, achava que não merecia mais do que tinha, que jamais poderia reclamar de nada, afinal, para ela tudo estava sempre bom e as coisas eram daquele jeito porque elas eram daquele jeito. Não fazia perguntas, pois tinha medo das respostas e nunca teve perspectiva de futuro, mas achava que era feliz. A linguagem do livro é livre e o mais próximo possível do leitor. Pode-se perceber o que o narrador está sentindo no exato momento da cena que narra, já que deixa observações e esclarecimentos sobre os seus pontos de vista. Talvez o excesso de participação do narrador, principalmente nas primeiras páginas, seja o único ponto fraco do livro, mas é isso que dá profundidade ao texto. Clarice foi fiel á sua escrita e criou uma história singular e notável pela sua simplicidade, expressão e pela construção e desenvolvimento de suas personagens. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 23:01
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Quarta-feira, Junho 22, 2005
42º Livro que li: Comédias para se Ler na Escola
Autor: Luis Fernando Verissimo Ano em que li: 2005 Classificação: UM LIVRO COM PROBLEMAS TEMÁTICOS Um dos pontos altos de Comédias para se Ler na Escola (2001) é a apresentação feita por Ana Maria Machado que em seis páginas analisa o problema daqueles que não gostam de ler e dá sugestões para contornar esse problema citando Luis Fernando Veríssimo como um bom autor para iniciar o hábito da leitura. Ela também foi responsável pela seleção das crônicas, porém falhou em suas escolhas já que grande parte delas não se relaciona com o título. Uma das propostas desse livro é fazer as pessoas gostarem de ler e procurar por mais textos e mais autores, aguçando a curiosidade e estimulando o prazer da leitura. Pode-se dizer que está diretamente ligado ao jovem, tendo também uma visão didática, já que pretende ampliar sua opinião crítica com humor e objetividade, apresentando textos fáceis, simples e em linguagem coloquial. Sua estrutura foi dividida em seis partes que abordam assuntos diferentes: Falando Sério, Fábulas (A Novata, Direitos Humanos e Segurança), Equívocos, Outros Tempos, De Olho na Linguagem (Sexa e Papos) e Exercícios de Estilo. São mostradas situações comuns que causam embaraços, lembranças de infância do autor e brincadeiras com letras e palavras formando jogos com a língua portuguesa, contudo, a maioria das crônicas foge à idéia do tema. Textos como Pá Pá Pá, Tintim, Pudor, Um, Dois, Três e o Jargão são fracos e sem objetivo aparente. As crônicas de Veríssimo têm um ponto crítico muito forte e são bastante claras, há enfoques políticos também, mas sua grande marca é o registro de situações do cotidiano, porém, vários desses textos deixam a desejar e utilizam um tipo de humor que, às vezes, parece forçado. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 22:23
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Quarta-feira, Junho 08, 2005
41º Livro que li: S. Bernardo
Autor: Graciliano Ramos Ano em que li: 2005 Classificação: A VIDA DAQUELES QUE ENCARAM A SECA Paulo Honório juntou durante anos pequenas economias com sofrimento, paciência e obstinação. Gradualmente foi conquistando seu patrimônio, tornando-se rico e poderoso, porém, tratava seus subordinados como bichos e tomava atitudes por impulsos e com arrogância. Transformara-se em um ditador na sua propriedade, achava que podia controlar tudo e todos, não costumava aceitar sugestões ou conselhos, além de reagir negativamente à críticas. Os problemas começaram com a chegada da professora Madalena que não concordava com as humilhações sofridas pelos trabalhadores de S. Bernardo e tentava promover ações sociais para amenizar os abusos de Paulo, sempre contestando os seus métodos precários. As riquezas acumuladas ao longo de uma vida não são garantias de felicidade. As relações amistosas entre os indivíduos são fundamentais para que uma boa convivência seja possível, quando há falta de respeito e de tolerância em uma das partes, essa geralmente é absorvida por suas ambições, além de gerar uma solidão que vai crescendo pouco a pouco já que os outros criam receios e evitam aproximações. Um dos objetivos principais desse livro é mostrar as condições de sobrevivência para quem permanece na seca nordestina, ao contrário de Vidas Secas, onde o autor mostra a situação dramática de quem não consegue mais sobreviver no sertão e resolve deixá-lo. Graciliano Ramos usa uma linguagem regional, onde o narrador é a personagem principal - primeira pessoa - e utiliza sua personalidade para dar características distintas ao texto. A visão social contida na trama é extensa e não se limita a analisar apenas o homem sertanejo, podendo ser aplicada também à outros perfis da sociedade. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 20:54
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Sábado, Maio 28, 2005
40º Livro que li: A Revolução dos Bichos
Autor: George Orwell Ano em que li: 2005 Classificação: UMA INCANSÁVEL E EGOÍSTA LUTA PELO PODER A Revolução dos Bichos (1945), de George Orwell, é uma fábula que aponta as controvérsias do Socialismo adotado na antiga União Soviética. Um retrato fiel de como os líderes soviéticos iludiram e traíram a população instaurando um regime ditatorial onde a liberdade de expressão foi reprimida. Muito direto e fácil de ler, denuncia as atrucidades que a ambição humana pode acarretar e para isso utiliza linguagem simples e acessível. O sonho do velho Major de que os bichos criassem uma comunidade onde fossem auto-suficientes é colocado em prática. A Revolução é feita e o Animalismo é adotado como forma de Governo da recém-criada Granja dos Bichos. Tudo prospera muito bem, agora os animais têm direito a uma vida digna, todos cooperam trabalhando igualmente. Bola-de-Neve, o porco que administra a Granja, é justo e não se julga melhor do que ninguém, mas os ideais do Animalismo são traídos e suas leis violadas, o porco Napoleão expulsa Bola-de-Neve e assume o poder instaurando uma ditadura. Os indivíduos possuem sentimentos diferentes, que são expressos em tempos e lugares diferentes, uma sociedade extremamente solidária e disposta a cooperar com o bem-estar geral é utópica, pois sempre existirão os líderes que por mais corretos que sejam carregarão uma responsabilidade distinta: a de liderar, gerando assim o desejo de obter privilégios. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 21:06
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Quarta-feira, Maio 18, 2005
39º Livro que li: Ciranda de Pedra
Autora: Lygia Fagundes Telles Ano em que li: 2005 Classificação: DANOS DE UMA INFÂNCIA RESSENTIDA Um dos temas abordados em Ciranda de Pedra(1954) é o sofrimento das crianças, fato que na maioria das vezes é ignorado pelos adultos. A história se desenvolve em meio aos problemas de uma família dissipada, onde a personagem principal enfrenta uma exclusão familiar. Virgínia é completamente retraída pelas irmãs a participar de atividades com seus amigos, no entanto, inveja, sonha em um dia ser e fazer o que elas fazem, mas até seu pai parece gostar menos dela. Desde muito nova é obrigada a carregar nas costas a responsabilidade de um problema sério: o de não ser aceita por ninguém. Só ao crescer é que percebe que todos aqueles são frágeis; vulneráveis e que agora ela é quem é desejada. Virgínia se torna amarga e obcecada por ser aceita, mas precisa se libertar. Lygia Fagundes Telles conseguiu envolver nessa trama mistério, suspense e drama, além de criar uma protagonista singular, com dinamismo e esperteza, diferente das românticas mocinhas que são tão comuns. A construção do texto é notável, apresentando cenas que prendem a atenção do leitor com suas revelações e situações inesperadas e que são ilustradas por ambientes bonitos, muito bem descritos pela autora. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 22:07
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Domingo, Abril 17, 2005
38º Livro que li: As Mentiras que os Homens Contam
Autor: Luis Fernando Veríssimo Ano em que li: 2005 Classificação: "OS HOMENS NÃO MENTEM. NO MÁXIMO, INVENTAM HISTÓRIAS." Observando o cotidiano das pessoas Luis Fernando Veríssimo registra em suas crônicas a realidade em que vivemos quase sempre de uma forma engraçada e descontraída. No livro As Mentiras que os Homens Contam, o autor expõe divertidas situações em que os homens têm que mentir para proteger as mulheres de serem magoadas por eles mesmos. São pequenas e simples mentiras ou "histórias inventadas" que fazem a felicidade de mães, namoradas, irmãs, amigas...Enfim, de todas as mulheres. Textos muito bem construídos e selecionados como: Grande Edgar, Trapezista, A Aliança, Os Moralistas, Clic e A Mentira criam uma sintonia que justifica a idéia principal do livro. Entretanto, nem todas as crônicas estão relacionadas diretamente ao tema proposto, algumas delas como: Índios e Blefes aparentemente não têm nada haver, mas transmitem mensagens às vezes até mais importantes. Em Exéquias, Jenesequá: Uma parábola e Lar Desfeito, Verissimo, de uma forma cômica, faz críticas profundas à sociedade. O cronista leva o leitor a perceber os fatos reais das relações entre as pessoas com humor e simplicidade, mas sabendo ir direto ao ponto. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 22:41
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Quinta-feira, Abril 07, 2005
37º Livro que li: Mrs. Dalloway
Autora: Virginia Woolf Ano em que li: 2005 Classificação: A HISTÓRIA DA CRISE DOS INDIVÍDUOS Clarissa Dalloway está organizando uma festa, está muito animada, alegre...parece ser feliz, mas por dentro está passando por uma crise existencial, ela não consegue entender o sentido da vida, porém ama tudo isso que a cerca, de uma forma inexplicável. Sente que falta algo, sente que a vida deve ser mais do que o papel que ela desempenha na sociedade, mesmo assim continua vivendo de acordo com as regras, tentando ser uma boa mãe e uma boa esposa. O enredo se passa em um único dia e enfoca não só aspectos do cotidiano de Clarissa, como também os das pessoas que fazem parte dele, o interessante é que todos, de uma certa forma, se sentem como Clarissa...todos tem suas dúvidas, seus questionamentos em relação à vida...Todos estão passando por crises existenciais...A autora escreveu, na verdade, a história da crise de uma sociedade inteira, reunida em um só lugar, na festa de Clarissa, onde ela era a anfitriã. A senhora Dalloway demonstra de várias maneiras a sua visão de realidade, porém, Septimus Warren Smith - personagem paralelo da história - expõe a realidade através da visão de um louco. Mas afinal, qual seria a verdadeira realidade? O fato é que há algo em comum entre Clarissa e Septimus, os dois têm a mesma sensibilidade, os dois não compreendem o mundo em que vivem, mas no fundo sabem o por quê... A leitura desse livro requer muita atenção e sensibilidade, ele tem algo de misterioso, enigmático e nos faz pensar: por que algumas pessoas valorizam coisas tão grandiosas e que não valem tanto, enquanto outras observam pequenos detalhes e enxergam neles o sentido de tudo? Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 22:06
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Domingo, Fevereiro 13, 2005
36º Livro que li: Sonhos D' Ouro
Autor: José de Alencar Ano em que li: 2005 Classificação: CRÍTICAS À SOCIEDADE CAPITALISTA DO SÉCULO XIX Fugindo um pouco do Romantismo, Sonhos D' Ouro, 1872, é mais uma série de críticas à sociedade da época do que uma história de amor. Nesse livro José de Alencar denuncia as grandes trapaças e faucatruas provocadas pela ambição ascendente da elite fluminense, até o casamento se torna uma transação comercial - uma das mais valorizadas - e muitas vezes um amor verdadeiro é abnegado em favor de uma união mais vantajosa. Guida é filha de banqueiro, muito mimada e caprichosa, lhe falta humildade e singeleza, é influenciada pelo poder que o dinheiro traz e por conta disso seu orgulho a transforma em uma pessoa fria, que não demonstra sentimentos nobres com frequência. Ela demora muito tempo para perceber que ama Ricardo, um jovem advogado pobre que foi para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida para a sua família, Guida não acredita que possa amar alguém como ele e por isso fica dividida entre o amor e o dinheiro. O autor coloca elementos comuns do Romantismo como: o amor proibido e o casamento, mas põe um final surpreendente e incomum à seus outros romances. A grande falha talvez seja o desenrolar monótono do enredo, já que não há tantas cenas de tensão e apreensão, é um pouco repetitivo, mas mesmo assim é uma boa história de amor e uma fiel análise crua da realidade da corte do século XIX. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 17:17
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Domingo, Janeiro 16, 2005
35º Livro que li: As Horas
Autor: Michael Cunningham Ano em que li: 2005 Classificação: UMA VIDA INTEIRA EM UM ÚNICO DIA Em três épocas diferentes, Virginia Woolf (1923), Laura Brown (1949) e Clarissa Vaugham (1999), atuam em suas vidas como em uma peça de teatro. Assim que acordam entram em cena e tudo parece estar muito bem, mas na verdade não está. O que elas precisam é de um lugar onde não precisem ser mães, donas de casa, ou esposas, apenas possam ser elas mesmas. É possível morrer, qualquer um pode fazer esta opção, sim, é possível morrer. Mas elas amam a vida, a cidade e o momento em que vivem, amam as pequenas coisas por mais medíocres que elas sejam, por isso não suportariam tirar as próprias vidas e deixarem tudo isso. Mesmo assim alguém tinha que morrer, mas quem e por quê? Alguém precisava morrer para que a vida das outras pessoas pudesse continuar, é uma controvérsia. Estavam morrendo em suas respectivas peças, as horas passavam, uma após a outra, chegava mais uma, aí vinha outra e elas estavam cansadas disso porque essas horas nunca terminavam. Escolheram pela vida, mesmo que isso significasse morrer mais rapidamente. Todas elas fracassaram, mas não creio que alguém possa ter sido mais feliz do que elas foram. Esse é um livro muito complexo, de difícil entendimento e que pode originar várias interpretações diferentes. Uma história que prende o leitor e causa um certo fascínio por ser um tanto misteriosa e até mesmo excêntrica, uma realidade, que pode ser considerada sombria, é mostrada de forma crua e sem pudor. Talvez o único problema seja a grande quantidade de detalhes, mas sem eles a aguçada expressão sentimental não seria possível. Um dos melhores livros que já li e que pretendo ler muitas outras vezes para entender todos os tipos de interpretação possíveis que eu possa ter. Um livro que pode influenciar tanto a vida de uma pessoa a ponto de estimular e unir mente e espírito em uma sensibilidade tão grande e tão incontrolável que cabe em um minúsculo e insignificante ponto. Clique aqui e COMENTE:
Postado por Renato Medeiros em 14:32
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Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
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Postado por Renato Medeiros em 14:43
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